18 janeiro, 2020

Isaías, eu e Jeremias



Gosto de muitas coisas na vida, entre elas, viajar, ter acesso a novas culturas, experimentar arte por onde passo... Arte por toda parte!

Quando tiro férias tenho a oportunidade de estudar enquanto "descanso", de unir o útil ao agradável, de descansar carregando pedras.

Muitos acreditam que estou apenas passeando, mas na verdade estou estudando enquanto passeio, então escolho lugares estratégicos para "passear". É um investimento, sabe? Meu curso de verão!

Estes são Os Doze Profetas de Aleijadinho, um conjunto de esculturas em pedra-sabão de tamanho quase natural, feitas entre 1794 a 1804 pelo artista mineiro Antônio Francisco Lisboa, conhecido como Aleijadinho (1730-1814), localizadas no adro do Santuário do Bom Jesus de Matosinhos, no município de Congonhas/MGum dos exemplos mais contundentes do desenvolvimento do Barroco no Brasil, e talvez a sua última grande manifestação.

Análises técnicas revelam que pela concepção arquitetônica original do adro as estátuas deveriam ter dimensões menores e serem colocadas em posição frontal. Aleijadinho transcende os dados previstos na arquitetura e cria um novo espaço subordinado à movimentação e ao tamanho de suas esculturas.
Analisadas individualmente, as figuras dos Profetas em Congonhas apresentam deformações anatômicas ou acabamentos desiguais que indicam a colaboração do ateliê de Aleijadinho. No entanto, a força do conjunto e seu poder de integração superam as avaliações individuais das obras. 
Aleijadinho teve certamente conhecimento do tema, através de gravuras, forma usual da difusão dos temas iconográficos e artísticos na era anterior à fotografia. Tanto que a coroa de louros de Daniel e a baleia de Jonas são curiosamente análogas às gravuras editadas em Florença no século XV.
Sobre a iconografia das imagens, o historiador francês German Bazin aponta uma série de gravuras florentinas anônimas do quattrocento como fonte do artista mineiro. Em suas esculturas encontram-se o mesmo traço goticizante, como os panejamentos quebrados e em ângulos retos, e os elementos exóticos, como os barretes em forma de turbante "à moda turca". No entanto, é preciso ter em vista que a iconografia profética é cunhada na Idade Média, momento em que a representação dos profetas aparece sempre com o filactério (faixa de pergaminho com passagens bíblicas) e com a gesticulação eloqüente e vivaz. A pintura flamenga, em fins da era medieval, introduz os elementos "orientais" nessa iconografia. São comuns profetas com vestimentas exóticas na arte portuguesa entre 1500 e 1800, como é o caso das figuras no Santuário de Braga.
Pelo menos dez dentre os 12 profetas apresentam o mesmo tipo fisionômico jovem de traços elegantes com rostos estreitos, bochechas encovadas e maçãs do rosto salientes, barbas aparadas e longos bigodes.  Apenas Isaías e Naum são envelhecidos e de bardas longas. Também no que diz respeito às vestes, todos trajam túnicas longas ou curtas cobertas com pesados mantos bordados nas bordas - à exceção de Amós, o profeta-pastor que traz manto semelhante aos casacos de pele de carneiro e gorro usado por camponeses da região do Alentejo. A escultura de Daniel com o leão a seus pés destaca-se do grupo. Muitos acreditam que, pela perfeição de seu acabamento, é uma das únicas esculturas inteiramente realizada pelo mestre mineiro.
Fonte:

Profetas do Aleijadinho | Enciclopédia Itaú Cultural: 

http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra53449/profetas-do-aleijadinho
Doze Profetas (Aleijadinho) - Escola Educação: https://escolaeducacao.com.br/doze-profetas-aleijadinho/

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