05 junho, 2012

A GUITARRA: OBJETO OU ÍCONE?


Termo grego para designar qualquer instrumento de corda, a guitarra sofreu transformações drásticas ao longo do tempo. Mais do que um simples objeto musical, a guitarra elétrica é um ícone.
            Sofrendo diferenciação no seu nome apenas no Brasil (aonde violão equivale à guitarra acústica e guitarra à guitarra elétrica) o primeiro instrumento de cordas a chegar num design próximo ao que temos hoje foi a GUITARRA BARROCA, datada do final do século XVI. Cordas de tripa de carneio e um pequeno corpo, a GUITARRA BARROCA pode ser considerada a principal origem do instrumento que temos hoje. Diversas modificações no design ocorreram nessa época, a fim de garantir volume sonoro satisfatório para apresentações. Mas, só no final do século XVII que teremos um modelo aceito e padronizado:  A GUITARRA ROMÂNTICA, como era chamado o violão nessa época. Que tinha como característica uma caixa de ressonância maior, em forma de um “8”, e em sua grande maioria seis cordas. Embora, o design não tenha mudado, foi só no século XIX, nas mãos do espanhol Antônio Torres que as cordas de tripa deram lugar as cordas de nylon.
            Século XX se inicia, e o maior passo em direção à guitarra elétrica foi dado pelo luthier Christian Friederich Martin, que trocou as cordas de nylon pelas cordas de aço e fez modificações na estrutura interna do instrumento, a fim dar suporte à tamanha tensão das mesmas. A busca por volume e praticidade não tinha chegado ao seu fim. Das várias tentativas que ocorreram a que teve maior sucesso foi a invenção de Adolph Rickenbacker e George D. Beauchamp: a “FRYING PAN”, considerada a primeira guitarra elétrica. Corpo circular e um captador eletromagnético é o que resume a “Frying Pan”. O princípio de funcionamento dos captadores eletromagnéticos é simples e utilizado até hoje. Uma bobina é imersa em um campo magnético, e conectada a um amplificador. As cordas, obrigatoriamente de um material magnético (o aço), são colocadas para vibrar no campo magnético que esse imã gera. Essa vibração causa uma variação de tensão nos terminais da bobina, que amplificada gera o som final.
            Foi em 1948, que Leo Fender (criador de uma das maiores marcas de guitarra até hoje) trouce ao mundo sua primeira criação de sucesso: a Fender Broadcaster. Com um design que já se distanciava do formato clássico (em forma de “8”), a Broadcaster se baseava apenas nos captadores, ou seja, o formato não tinha nenhuma projeção sonora natural, libertando-se do formato básico e abrindo caminho para diversas modificações possíveis no campo da estrutura visual da guitarra. O sucesso da Fender Broadcaster despertou na Gibson (outra renomada marca de guitarras) interesse na invenção de um músico da época. Temendo o fracasso da mesma, os executivos da Gibson batizaram a invenção com o nome do músico que a criara: em 1951 nascia a Gibson Les Paul. Tanto a Gibson Les Paul, quanto a Fender Broadcaster seguem com o seu design inalterado desde aquela época. A única modificação foi no nome: Broadcaster foi rebatizada como TELECASTER.
É evidente que a história não parou em 1951. Hoje temos guitarras que não utilizam madeira, novos acessórios, cordas de cores variadas. Mas, todas essas invenções, são baseadas diretamente nas cordas de aço de Christian Friederich Martin, nos captadores do Adolph Rickenbacker e das estruturas do Leo Fender, Orville Gibson e Les Paul.
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