19 março, 2012

Tributo ao Clube da Esquina em Valença/RJ

Tributo ao Clube da Esquina
 Olá galera da boa música valenciana! Hoje preparei pra vocês uma entrevista com o grande guitarrista Filipe Torres, que tive a grata oportunidade de conhecer num workshop do Kiko Loureiro no Teatro GACEMSS no ano de 2010 em Volta Redonda. Depois disso meu camarada e ex-aluno Samuel Jr que estava morando em VR fez a ponte entre a gente e trocamos altas idéias sobre Rosinha de Valença. Por conta disso apresentei pra ele a Jo Macedo, amiga da Rosinha de Valença. Nos encontramos ainda, depois disso, numa apresentação do SD14, na qual ele fez a guitarra como "freela" e agitei pra ele a apresentação de seu grupo de Jazz 3x4 no Bar Bat e Papo, apresentando o som deles pras garotas do bar e fazendo a ponte nas negociações. Desta vez ele me pediu pra dar uma agitada na galera pra curtir o novo trabalho dele, o "Tributo ao Clube da Esquina" e como já queria assistir desde quando eles o lançaram lá em VR, fazer isso foi fácil pra mim!


Aliás não preciso nem falar sobre o Clube da Esquina, mas pra garotada que infelizmente ainda não conhece, a presença nesse tributo se torna obrigatória. Não só indico cada aluno meu a comparecer, como intimo a conhecer a qualidade da música mineira de Milton Nascimento, Lô Borges, Márcio Borges, Fernando Brant, Ronaldo Bastos, Beto Guedes, Toninho Horta...

Ramon Rodrigu
Considero a ida a esse tributo uma aula de música mineira, exatamente no mês em que se comemora os 40 anos do Clube da Esquina, não podia ter data melhor para acontecer esse show. Uma aula de Clube da Esquina. Como eu queria a presença de dois amigos do peito assistindo esse show comigo: Paulinho Lima e André Coelho. Pois curtimos muiiiiiiiita coisa de Clube da Esquina juntos. Épocas de acampamento na concórdia, apresentações sem fim em Rio Preto/MG e de passar tardes e noites adentro tocando violão. Belas parcerias musicais.

Espero que curtam a entrevista e encontro vocês no show!!

ENTREVISTA
 

Pinheiro - Olá Filipe! É sempre um prazer poder conversar contigo sobre música, e queria fazer umas perguntas sobre o Tributo ao Clube da Esquina que acontecerá nesta sexta-feira (23/03/2012) no Pesqueiro do Vitinho em Valença/RJ apartir das 22:00 hs. A divulgação já está sendo feita na cidade e vamos direto às perguntas:

Filipe, quais são as expectativas para a apresentação do Tributo ao Clube da Esquina em Valença/RJ?

Filipe Torres - As melhores. O Clube da Esquina sempre foi uma unanimidade no gosto musical de todos nós. Poder fazer esse trabalho para os amigos em Valença, no Pesqueiro do Vitinho, com todo aquele clima de natureza em volta só nos deixa mais anciosos.
  
Fabrício Santos
Vocês vêm com que formação para o Tributo? Quem são os integrantes?

FT - Somos em 5. A formação conta com Fabrício Santos, no violão de Nylon, aço, viola caipira e vocais. Romão Precioso, nos vocais e contrabaixo. Helbert Santos, na bateria. Ramon Rodrigues, no Sax e Flauta. Eu (Filipe Torres), na guitarra, violão e vocais.

Como surgiu a idéia do Tributo?

FT - A idéia surgiu da forma mais descontraída que poderia ser. Fabrício e eu tomando um chopp numa tarde de calor extremo em Volta Redonda.
No ano passado eu já tinha feito outros tributos, como o do disco "Construção" do Chico Buarque e de um ao Jimi Hendrix. E nesse dia a energia mineira se encontrava presente entre nós, Fabrício sugeriu: "- Cara, porque você não faz um do Clube da Esquina?"
Eu disse que faria se ele tocasse comigo. Na mesma hora, ligamos para o Pianos Bar e fechamos a data, para que aquilo não ficasse apenas em uma conversa.


Como funciona a parte organizacional do Tributo? Sabemos que todos têm projetos particulares, uns com a banda 3X4 e outros ainda em suas aulas particulares. Como fica arrumar tempo para ensaios, divulgação e tudo o mais que o Tributo exige?

FT - Olha, apesar da loucura que é a vida de todos, o Tributo sempre rola da maneira mais natural possível. Antes de sermos músicos, todos somos muito amigos, então fosse com o tributo, ou fosse para bater um papo, estaríamos juntos. Então diminuímos o papo e aumentamos os ensaios. rsrsrs

Filipe, você é instrutor de guitarra há anos e conhece a realidade do ensino musical em nossa região. Qual a sua visão sobre a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas? 

Romão Precioso
FT - Fiquei muito feliz com a volta do ensino musical nas escolas. Qualquer iniciativa que seja para melhorar a educação, e a cultura das pessoas de um modo geral, tem de ser apoiado. Isso ainda aumenta o campo de trabalho do músico, e faz com que muitos procurem uma universidade. As próximas gerações tem tudo para vir com uma visão muito mais aberta que a nossa.

É muito difícil conseguir patrocínio para a cultura em geral e mesmo com a possibilidade de isenções fiscais para quem patrocina cultura, isso ainda é um tabu para a maioria dos músicos e empresas que poderiam patrocinar. O Tributo tem algum patrocinador?

FT - Realmente Pinheiro, ainda não está nada fácil. O Tributo não conta com nenhum patrocínio, estamos buscando, mas não é nada fácil. O problema maior é que as empresas focam da forma errada, focam em propaganda, não em arte. Dominguinhos falou sobre isso da última vez que esteve em Volta Redonda.
Sendo assim, o que você acha que seria mais viável para uma empresa, o Clube da Esquina ou a Ivete Sangalo?




Você é de Pinheiral/RJ. Dá aulas em Volta Redonda/RJ e toca em várias cidades da região. Como você tem visto o cenário musical da região, em relação a preparação dos músicos e em relação à valorização dos músicos pelos contratantes?

FT - Com relação ao prepário técnico do músico, tem sido cada vez melhor. Temos muita sorte, contamos com um celeiro de enormes talentos em toda a região. Agora da forma como o trabalho é desempenhado é onde está o problema, muitos cobram muito mais barato do que deveriam e isso prostitui o mercado. O contratante vez por outra propõe formas das mais absurdas para nós, mas isso infelizmente se deve ao próprio músico. Tocar bem é super importante, mas tem que se ter uma visão de profissional de mercado. Mas acho que pouco a pouco estamos caminhando para isso.

Nos últimos dias muito se comentou em relação à atitude do ECAD que cobrou taxa mensal de um blog por este disponibilizar vídeos com músicas de terceiros. O trabalho de vocês não é autoral. Como vocês lidam com o ECAD? Vocês não acham que essa atitude pode ser um "tiro no pé" (para o autor)? Pois embora pareça favorecê-lo em termos de direito autoral, pode por outro lado diminuir a divulgação de sua música?


Helbert Santos
FT - O Ecad sempre funcionou da maneira errada, o valor arrecadado é muito grande. Apenas migalhas chegam aos autores. É necessária uma iniciativa de nós mesmos para que as coisas mudem. Para mim uma reforma no Ecad se faz até mais necessária do que o fim da OMB.

Como você concilia família e trabalho? Já teve atritos nesta área? E a pergunta que não quer calar: Dá pra se viver de música?

FT - Já sim, muitos atritos. É complicado, a gente tem que trabalhar, tem que defender o aluguel, luz, água, enfim...
Muitas das vezes o dia em que isso acontece, é o dia que todos estariam reunidos, ou até um aniversário de alguém bem próximo, tem que se ter um bom jogo de cintura.
Viver de música é possível sim, mas como diz meu amigo Rogério Valente, tem que jogar nas 11 e catar no Gol. rsrsrs
O mercado está aí, mas para quem se prepara. É necessário tocar bem, dar aulas, produzir, gravar, ter boas relações com as pessoas, e falar pelo menos o inglês.
Apenas tocar milhares de notas no seu instrumento não vai fazer de você um profissional qualificado.
Numa retrospectiva dos momentos musicais que viveu, lembrando de bandas, músicos, shows, alunos, lugares... O que não faria de novo?

FT - Olha, que pergunta difícil. Tudo fez parte para um amadurecimento, então não apagaria nada. Se pudesse voltar no tempo, aumentaria mais meus estudos de música brasileira, coisa que tenho feito muito ultimamente.
Filipe Torres
Como professor de guitarra, o que você pode dizer para a galera aqui do "Pinheiro - Aulas de Violão"? Uns ainda aprendendo a tocar, outros já com bandas formadas e correndo estrada. Mas todos buscando um lugar ao sol no vasto território da música.

FT - Sempre estejam perto da arte galera, ela te faz um bem maior. Independente de se tornarem profissionais, mantenham a música em suas vidas.

Por fim, o que público de Valença/RJ pode esperar do Tributo ao Clube da Esquina? E quais os projetos que estão em andamento? O que Filipe Torres tem para gente?

FT - Podem esperar uma noite mineira, com tudo aquilo que a gente quer ouvir e tocar. O Tributo é um dos projetos que mais prazer tem me dado em tocar, vai ser 10 tocar aí.
Quanto aos projetos paralelos, tem muita coisa em andamento, mas um que deve rolar em breve por aí é do Tributo ao Jimi Hendrix.


Algumas músicas do set list:

Tudo Que Você Podia Ser
Paisagem na Janela
Canoa canoa
Saídas e Bandeiras
Um Girassol da Cor de Seu Cabelo
Nascente
...





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