20 junho, 2006

É Correto Ser Amigo de Uma Banda e Fazer Uma Crítica Sobre Ela Em Um Grande Veículo de Imprensa?

Quando Uma Amizade Pode Interferir Num Trabalho
por Juliano Costa

Ontem passei o filme "Quase Famosos" para alguns alunos, mas o filme deixa uma polêmica no ar, em relação a Willian Miller, o garoto-jornalista que é chamado para escrever para a revista Rolling Stone sobre uma banda de rock nos idos de 70. No começo, é tudo alegria para o garoto. Mas o convívio com seus ídolos, até então inatingíveis, fascina-o de uma tal maneira que seu trabalho, o motivo original da viagem, acaba passando a um segundo plano, ofuscado pela crescente amizade gerada por essa convivência.

E eis que, tanto o editor de Miller, já suspeitando da intimidade do jornalista-mirim com a banda, e os próprios músicos, céticos em relação à maneira como serão retratados na revista, perdem a credibilidade pelo trabalho do garoto.

Isso acaba levantando uma questão: quando se é amigo dos integrantes de uma banda, é possível que um jornalista faça uma crítica ou uma resenha imparcial e honesta sobre essa banda, sem que a amizade exerça algum tipo de interferência no texto?

O diretor Cameron Crowe, com seu filme praticamente autobiográfico (William Miller, o garoto, seria ele próprio, que também começou sua carreira como crítico musical) deixa claro que dificilmente se pode fazer uma crítica honesta e impiedosa, como aconselhava seu guru, o lendário Lester Bangs. Miller, maravilhado com o mundo-roque, é apenas honesto em seu texto, mas nada impiedoso. Pelo contrário: a amizade com os integrantes da banda amolece seu coração, e o impede de julgar o trabalho da banda com uma cabeça de crítico.

Sobre esse assunto, alguns dos principais jornalistas que escrevem sobre música no Brasil foram entrevistados por Juliano Costa para o site: http://www.screamyell.com.br/musica/ehpossivel.html. Leia suas opiniões:

Lúcio Ribeiro, repórter de música e cinema do caderno Ilustrada da Folha de São Paulo e da seção Pensata, do site Folha On Line (www.uol.com.br/folha/pensata) acredita que o jornalista profissional precisa ter discernimento sobre o assunto: não há problemas em escrever sobre uma banda de amigos desde que o jornalista acredite mesmo que o tal grupo mereça esse espaço. Lúcio diz que nunca se deparou com o problema, pois suas críticas são, na maioria, sobre bandas estrangeiras. Colega de Lúcio na Ilustrada, Marcelo Valletta pensa de forma diferente. Acho incorreto fazer matérias com amigos. Se você for designado para a tarefa, convém explicar a situação ao seu superior e pedir que ele indique outra pessoa, declara o jornalista. Mas caso você seja mesmo obrigado a escrever a tal resenha, deve utilizar o rigor crítico de costume, completa Valletta. Se a amizade vai interferir no texto, isso vai depender da pessoa. É preciso frieza e profissionalismo nessa hora, conclui o jornalista, que confessa nunca ter passado por uma situação parecida com essa.

Opinião semelhante tem José Flávio Júnior, editor-adjunto da revista Bizz. Não é correto para um crítico musical ser amigo de banda, mas é inevitável ser colega e ter conhecidos, que acabam virando até fontes, diz José Flávio, que acredita que usar os colegas músicos como fonte é um outro problema ético do jornalista. Eu não queria dizer essa obviedade, mas tudo depende. Se o cara consegue discernir seu contato com o músico da resenha que vai fazer, ótimo, atesta José Flávio, que conclui: A resenha é do disco, não da amizade.

André Barcinski, um dos apresentadores do programa Garagem (www.garagem.net), da rádio Brasil 2000, de São Paulo, e editor do site El Foco.com, é ainda mais radical: É óbvio que não (é possível fazer um texto imparcial), pois jornalista que se preza não fica amigo de artista. Essa é a regra número um do jornalismo cultural, declarou o jornalista, que lamenta que, no Brasil, infelizmente é normal ver nome de jornalista na lista de agradecimentos de discos.

Barcinski acredita que o dever de entrevistar e ter contato mais direto com os artistas cabe ao jornalista, e não ao crítico. Nos EUA, pelo menos nos órgãos mais sérios, os críticos trabalham na redação. Eles não entrevistam artistas, estão lá apenas para resenhar obras, disse o jornalista. Já no Brasil, não há uma divisão clara entre jornalistas e críticos de música, concluiu Barcinski, que confessa ser amigo dos integrantes da banda Sepultura, mas que já os conhecia antes de começar a escrever sobre música.

Correspondente da Tv Globo e do jornal Folha de S. Paulo em San Francisco, EUA, o jornalista Álvaro Pereira Júnior também entende que seja errado escrever crítica sobre amigos. A não ser que você tenha uma liberdade tamanha de texto que lhe permita escrever algo do tipo ‘sou suspeito para falar desses caras, porque eles são meus amigos’”, contrapôs o jornalista, que assina uma coluna sobre música no suplemento FolhaTeen, da Folha de S. Paulo.

Álvaro alerta também para o fato de haver muitos jornalistas que prestam serviços a gravadoras. Tem muito crítico de música, principalmente no Rio (de Janeiro), que escreve release usando pseudônimo para gravadoras”, afirma o jornalista. “E depois ainda vai criticar discos dessa mesma gravadora!, exclamou Álvaro, que preferiu, por motivos éticos, não revelar o nome desses jornalistas.

Em uma coluna antiga no caderno Folhateen, Ondas Curtas, o jornalista (e agora diretor da editora Conrad) André Forastieri alertava:

Não é tão complicado assim trabalhar na imprensa musical. O que você ganha com isso? Não muito. Você entra em show sem pagar e ganha montes de CDs. Viaja a trabalho para entrevistar uns e outros. É convidado para festas de lançamentos de discos.

E, claro, conhece um monte de artistas. Às vezes, até fica amigo de um monte de artistas. Se isso acontecer, está na hora de pedir demissão e mudar de carreira. Ninguém tem coragem de falar mal dos amigos. Ou, invertendo, não tem carreira que valha a perda de um amigo de verdade.

O que você acha?

(Este texto foi retirado do site: http://www.screamyell.com.br/musica/ehpossivel.html , onde Juliano Costa assina um texto intitulado: "É Correto Ser Amigo de Uma Banda e Fazer Uma Crítica Sobre Ela Em Um Grande Veículo de Imprensa?", Subtítulo: "Quando Uma Amizade Pode Interferir Num Trabalho").

19 junho, 2006

Autismo - Vivendo Num Mundo Especial


Conversei dias atrás via Orkut, com Elen Cristiane Guida Vasconcellos. Ela é mãe de uma criança autista, e estava perguntando da possibilidade de marcar aulas de violão para o seu filho. Achei uma matéria publicada na Revista Enfoque Gospel de Junho de 2006 - Edição 59, que tratava do assunto intitulada "Vivendo Num Mundo Especial", caso seja interessante posso xerocar e mandá-la na íntegra. Porém, no Blog publicarei só uma parte para que conheçamos melhor do que se trata o autismo.

O autismo é um transtorno de desenvolvimento em que a criança apresenta limitações de relacionamento e comunicação. O termo autismo vem do grego "autos", que significa "de si mesmo". Literalmente, a criança autista vive num mundo que só pertence a ela, sem existência de interação. O primeiro a nomear o distúrbio foi o psiquiatra americano Leo Kanner que, em 1943, descreveu um grupo de onze casos clínicos de crianças, em uma publicação intitulada "Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo" (Autistic Disturbances Of Affective Contact).

Autistas Podem Ser Gênios?

"A diferença entre o autista de bom rendimento e o gênio é muito pouco precisa". A afirmação é do neuropediatra José Salomão Schwartzman, professor titular de pós-graduação em Distúrbios do Desenvolvimento, na Universidade Presbiteriana Mackenzie. Ele afirma que é muito provável que Mozart e Santos Dumont fossem portadores dos transtornos causados pelo autismo. "Mozart tinha um distúrbio e compôs a primeira obra importante aos 5 anos, o que é maravilhoso, mas anormal. Além disso, tinha enormes dificuldades de relacionamento. Seu casamento foi um desastre e seu comportamento era absolutamente inadequado. Santos Dumont era um indivíduo isolado, com pouquíssimo relacionamento social e, como a maioria dos autistas, vestia sempre o mesmo tipo de roupa".Um artigo publicado no Journal Of The Royal Society Of Medicine, uma das mais prestigiadas revistas científicas da Inglaterra, também afirmou que Albert Einstein e Isaac Newton eram autistas. de acordo com a matéria, Newton, que descobriu a Lei da Gravidade, era um sujeito distante, de poucas palavras, e freqüentemente tinha acessos de mau humor. Além disso, era desleixado com a aparência e tinha a mania de escrever até vinte vezes os seus estudos, sem fazer quase nenhuma alteração de uma cópia para outra.No caso de Einstein, que formulou a Teoria da Relatividade, os sintomas também seriam típicos. Quando criança, ele costumava repetir a mesma frase durante horas e estava sempre sozinho. A hipótese de ele e Newton sofrerem da doença não diminui em nada a genialidade de ambos.

Recebi também da Ellen este texto de Scheilla Abbud Vieira, e achei muito interessante, portanto repasso:

AUTISTANDO

Quando me recuso a ter um autista em minha classe, em minha escola, alegando não estar preparado para isso, estou sendo resistente a mudanças de rotina.
Quando digo a meu aluno que responda a minha pergunta como quero e no tempo que determino, estou sendo agressivo.Quando espero que outra pessoa de minha equipe de trabalho faça uma tarefa que pode ser feita por mim, estou usando o outro como ferramenta.
Quando, numa conversa, me desligo, "viajo", estou olhando em foco desviante, estou tendo audição seletiva.Quando preciso desenvolver qualquer atividade da qual não sei exatamente o que esperam ou como fazer, posso me mostrar inquieto,ansioso e até hiperativo.
Quando fico sacudindo meu pé, enrolando meu cabelo com o dedo, mordendo a caneta ou coisa parecida, estou tendo movimentos estereotipados.
Quando me recuso a participar de eventos, a dividir minhas experiências, a compartilhar conhecimentos, estou tendo atitudes isoladas e distantes.
Quando nos momentos de raiva e frustração, soco o travesseiro, jogo objetos na parede ou quebro meus bibelôs, estou sendo agressivo e destrutivo.
Quando atravesso a rua fora da faixa de pedestres, me excedo em comidas e bebidas, corro atrás de ladrões, estou demonstrando não ter medo de perigos reais.Quando evito abraçar conhecidos, apertar a mão de desconhecidos, acariciar pessoa queridas, estou evitando contato físico.
Quando me deparo com situações que constrangem meu semelhante e não me incomodo, estou tendo comportamento indiferente.Quando dirijo com os vidros fechado e canto alto, exibo meus tiques nervosos, rio ao ver alguém cair, estou tendo risos e movimentos não apropriados.
Somos todos autistas.Uns mais, outros menos.O que difere é que em uns (os não rotulados), sobram malícia, jogo de cintura, hipocrisia e em outros (os rotulados), sobram autenticidade, ingenuidade e vontade de permanecer assim.

(Os trechos no fim das frases são alguns dos principais sintomas da Síndrome do Autismo).

18 junho, 2006

Violão - Dicas e Truques I

Os trechos abaixo, foram extraídos da apostila"Dicas, Truques & Exercícios"de Walter Rocha MarquesA música é um processo principalmente mental, usamos os músculos para produzir os sons que queremos apreciar. É importante ter músculos bem treinados na arte musical para que obedeçam docilmente aos mais sutis comandos da mente, mas também é essencial que se tenha uma mente bem treinada nesse universo sonoro que nos rodeia. A grande vantagem é que a mente se desenvolve muito mais depressa do que os músculos e, como não tem limites físicos, pode crescer infinitamente.A mente, a imaginação e a fantasia fazem parte do lado mais bonito da música. Podemos "ouvir" mentalmente qualquer som ou canção que conheçamos, mas podemos também imaginar, criar mentalmente qualquer som ou canção que nunca ouvimos antes. É assim que muitos compositores trabalham para fazer as suas músicas. Conheça duas aplicações práticas de como usar isso a seu favor , desenvolvendo sua "MENTE MUSICAL " :

1) Durante o treino de uma nova peça, um estudo ou uma apresentação ao vivo deve-se passar e repassar cada detalhe, cada movimento cada execução cada nota só com a mente, só depois que não há mais dúvidas na cabeça é que os músculos do corpo obedecem precisamente. Como resultado, o tempo de treino diminui e aumenta muito a qualidade eliminam-se os erros, sem falar que aumentamos muito a segurança de nossa performance.

2) Quando se afina um instrumento de cordas, normalmente se aperta uma corda em determinada casa do instrumento, então, toca-se a outra corda solta e fazemos os ajustes, após ouvir as duas cordas tocando simultaneamente.

TENTE O SEGUINTE :

A) Aperte na casa que tem que apertar
B) Toque o primeiro som
C) Repita esse som mentalmente, até decorar
D) Afine a outra corda "DE MEMÓRIA".


OS RESULTADOS SÃO SURPREENDENTES! ESSE É UM EXCELENTE EXERCÍCIO PARA DESENVOLVER O OUVIDO; ALIÁS, TER BOM OUVIDO SIGNIFICA TER A MENTE AFINADA!

15 junho, 2006

Como Tirar Um Som Alto e Forte do Violão?

Olá blogueiros! Uma visitante do Orkut, chamada Lari Caetano, me perguntou como poderia ajudá-la com as pestanas. Embora esse texto não trate de pestanas em si, a matéria responde muito da dúvida dela. Gostei muito desta matéria, por isso transcrevo aqui. Tomara que te edifique também! Abraços!

Como Tirar Um Som Alto e Forte do Violão?

De: Ulisses Rocha
Coluna: "Novo Violão Brasileiro"
Matéria Retirada da Revista Acústico nº 03 - Junho de 2006.

14 junho, 2006

"Quase Famosos"

Bem, depois da "sofrível" vitória do Brasil neste primeiro jogo, fiquei um tanto atordoado e quase que me esqueci de postar alguma coisa. Embora já houvesse falado com o Samuel e o Daniel Peixoto que iria postar. Essa semana foi curta, porque terça, por causa do jogo, só o Rhuan veio na aula. A Ana Bárbara faltou e eu tenho certeza de que ela vai arranjar uma boa explicação para isso. E amanhã: Quinta-feira, é feriado! Aviso aos navegantes: "Não haverá aula!". Hoje à noite eu vou pro Luau que o Francis da Expansão Missionária está organizando, o local é lá pros lados do Vale Verde e o preço é de apenas R$ 5,00. Com direito a mesa de frutas e café da manhã já na quinta-feira. Tenho certeza que vai ficar muito show. Eu vou com a minha esposa, e acho que vamos pegar uma "caroninha" com o Igor que também vai, lá pelas 22:30hs.

09 junho, 2006

Carpe Diem!

Mais uma semana se foi! Foi uma ótima semana de aulas, mesmo com alguns alunos faltosos. Mas espero que semana que vem não haja nenhuma falta. Gosto muito de dar aulas. Gosto mais do que de tocar. Quando comecei a dar aulas a intenção era aprender. Aprendo muito com meus alunos, mais do que eles comigo. É fácil explicar: muitos deles só têm a mim como elo de ligação com o mundo da música, eu porém tenho todos eles. Cada um deles. Gostos diferentes, objetivos diferentes, idades diferentes, informações novas...

03 junho, 2006

O Violão e a Bateria
















Um segredo muito bem escondido pelos profissionais das cordas - e a maioria não gosta de revelar seus segredos - é a comparação entre a bateria e as batidas no violão. Observando bem, podemos exprimir melhor o acompanhamento fazendo um paralelo entre os dois.

Transporte




Transpor uma peça musical (uma progressão de acordes, digamos, ou uma melodia) significa tocá-la em uma tonalidade diferente daquela que foi composta, ou na qual ela foi originalmente aprendida.

Existem duas razões para se transpor uma seqüência de acordes. A primeira acontece quando se deseja usá-la para acompanhar uma música cantada, mas a tonalidade é baixa ou alta demais para o conforto de quem canta. A segunda ocorre quando se deseja utilizar posições específicas, ou adicionar notas melódicas cuja obtenção seja de difícil execução caso a música permaneça na tonalidade original.